sábado, 1 de setembro de 2007

Arroz Orgânico... Por que não? - Parte I


Arroz Orgânico

O Arroz Orgânico é produzido ecologicamente, isto é, oriundo de cultivo totalmente natural, no qual não são usados agrotóxicos ou substâncias químicas artificiais que alteram o metabolismo humano. É um produto diferenciado, que segue as tendências mundiais de qualidade de vida e preservação da biodiversidade através do controle microbiológico do solo.

Sua qualidade e pureza são asseguradas desde o plantio até chegar ao mercado, pois este produto segue as normas internacionais de produção orgânica e possui o Selo de Qualidade do IBD - Instituto Biodinâmico (assegura o acompanhamento e vistoria da produção).

O Arroz Orgânico pode ser encontrado em embalagens de 1 Kg, classe longo fino, tipo 1.




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» Josapar lança arroz orgânico Tio João embalado a vácuo

Natural, saboroso e comprovadamente saudável, o Arroz Orgânico Tio João é o lançamento da Josapar, líder no mercado nacional de arroz. Cultivado em ecossistema preservado na região do Banhado do Taim, no Rio Grande do Sul, o Arroz Orgânico Tio João é certificado pela EcoCert, com padrão internacional, que vistoria toda a produção, comprovando a alta qualidade do produto orgânico. Além de ser totalmente livre de agrotóxico e de substâncias químicas artificiais, este arroz é produzido com técnicas especiais de cultivo e industrialização.

Rico em proteína, fibras, vitaminas e minerais, o Arroz Orgânico Tio João é produzido de maneira orgânica e após a colheita é limpo, descascado, selecionado e empacotado a vácuo, o que mantém a qualidade e o sabor do produto, um grande diferencial com relação aos principais correntes.
Arroz Orgânico Tio João é um produto diferenciado, que segue as tendências mundiais de qualidade de vida e preservação da biodiversidade, indicado para pessoas preocupadas com a própria saúde e com o bem estar das gerações futuras. O Arroz Orgânico Tio João pode ser encontrado em embalagens de 1 kg, classe longo fino, tipo 1, com preço sugerido de R$ 4,98.
Sobre a Josapar

Viver com sabor, este é o lema da Josapar, líder no mercado nacional de arroz com a marca Tio João. Com 85 anos de tradição, a empresa possui sede em Pelotas (RS) e unidades em Recife (PE) e Itaqui (RS). Além do tradicional Arroz Tio João, a empresa produz o arroz Tio Mingote, o arroz e o feijão Biju e a bebida e as barras de cereais Supra Soy, feita com proteína isolada de soja, o que lhe proporciona o melhor sabor do mercado.

Mais informações para a imprensa:
Atitude Assessoria em Comunicação
Damaris Lago e Marisa Amaral
(11) 4229-0112/ 9682-8578
marisa@atitudecom.com.br

Fonte:
http://www.atitudecom.com.br/noticias2.asp?id=818&m=mkwrtkmwwxvfp&k=mjytasbdgbdn

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14/07/2006
Orgânicos refletem evolução do arroz no varejo


Além do apelo ambiental e de saúde, a certificação, as embalagens bonitas e vistosas e as variedades de produtos transformam o arroz em produto nobre e apreciado por consumidores exigentes

Você pagaria cinco vezes mais por um arroz produzido sem o uso de defensivos, fertilizantes e outros insumos químicos?

Há consumidores que pagam!
Eles ainda são exceções, é verdade. Mas cada vez mais os produtos “orgânicos” vêm ganhando espaço no meio dos tradicionais. E não poderia ser diferente no caso do arroz.

Atualmente há, no mínimo, cinco marcas de arroz orgânico no mercado brasileiro, com 12 produtos diferentes (variando embalagem, grupo, subgrupo, classe e tipo). Eles já ocupam razoável espaço nas prateleiras dos grandes supermercados, como Pão-de-Açúcar, Carrefour, BIG, Wall Mart, dentre outros.

Algumas marcas encontradas no mercado brasileiro:

A “Agricultura Orgânica” proíbe o uso de fertilizantes e defensivos químicos e integra técnicas como adubação verde, rotação de culturas, compostagem etc. (ver mais informações no site do Instituto Biodinâmico: www.ibd.com.br/artigos/agricorg.htm).

Para um produto ser considerado orgânico deve ser certificado por uma instituição certificadora, que é uma entidade reconhecida oficialmente para desempenhar tal função. Portanto, não basta um produto se dizer orgânico: precisa, de fato, ser orgânico. Há um acompanhamento e fiscalização por parte dessas entidades. Esse fato, por si só, já implica custos adicionais no processo produtivo. É uma primeira explicação para o fato de os preços desses produtos serem, geralmente, mais elevados que os tradicionais.

Mas não é apenas o investimento em certificação que os torna mais caros. Geralmente a produção orgânica requer cuidados especiais e uso intenso de mão-de-obra. Portanto, via de regra é um sistema de cultivo em menor escala. Além disso, o não-uso de alguns insumos pode – mas nem sempre ocorre! – implicar menor produtividade.

Conclui-se, por conseguinte, que os preços dos produtos orgânicos tendem a ser mais elevados. Deve-se considerar ainda que as empresas ofertantes desses produtos também têm investido na apresentação dos mesmos, especialmente no que se refere às embalagens.

Para alguns arrozes orgânicos, as embalagens são muito mais elaboradas, em caixas de papelão com acabamento de primeira qualidade. Alguns são embalados a vácuo. Tais investimentos também justificam os preços mais elevados. Assim, têm-se produtos especiais, atraentes e muito bem apresentados.

Na Tabela 1 são apresentadas algumas informações mais detalhadas de uma pesquisa realizada em três supermercados do interior paulista, na qual foram estudados os produtos orgânicos disponíveis.

Tabela 1. Amostra de arroz orgânico no varejo paulista (junho de 2006)

Fonte: Projeto Arroz Brasileiro (2006)

* O preço de referência diz respeito ao preço médio de 1 quilo de arroz polido, longo fino, tipo 1, em embalagem comum de 5 kg, em três supermercados no interior paulista.

Observa-se que há arrozes polidos, parboilizados e integral, em embalagens de ½ e 1 quilo, em caixa ou em embalagem plástica, a vácuo ou não.

Juntamente com a marca, ilustram-se as certificadoras respectivas. A saber: Ecocert (www.ecocert.com.br), IBD (www.ibd.com.br) e Demeter (www.demeter.net).

Em relação aos preços dos produtos encontrados, variaram de R$ 3,63 a R$ 7,40 o quilo. Comparando-se com o preço base de referência, tais valores são entre 2,6 e 5,2 vezes mais elevados.

Apesar de toda essa evolução, nunca podemos esquecer da viabilidade econômica do processo como um todo. A população brasileira, na sua grande parte, ainda procura apenas preços baixos. Larga escala e preços baixíssimos, portanto, ainda parece ser a estratégia mais indicada para muitas empresas do segmento de arroz.

De nada adianta altos investimentos com baixos retornos, ou escala ínfima. Então, antes de qualquer investimento nesses arrozes “especiais” é preciso um detalhado estudo de mercado, para que as frustações não ocorram.

O importante é que o desenvolvimento econômico do nosso país abre espaço para essas iniciativas.

DICA: acessem na seção de artigos do site do Projeto Arroz Brasileiro, a pesquisa “O perfil dos consumidores de arroz ecológico no Rio Grande do Sul”, dos autores Letícia Martins de Martins, Rebel Zambrano Machado, Simone Soares Echeveste, Daniela de Menezes Callegaro e Glauco Schultz. (Link)

Augusto Hauber GameiroProjeto Arroz Brasileirogameiro@natural.agr.br

Fonte: http://www.arroz.agr.br/site/arrozemfoco/060714.php

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26.03.07 - AMÉRICA LATINA
Pelo quinto ano consecutivo é colhido arroz orgânico no Brasil

Famílias campesinas do sul do Brasil demonstram que é possível levar adiante uma agricultura sustentável sem utilizar produtos químicos ou sementes transgênicas. Segundo o Movimento Sem Terra (MST), agricultores da zona metropolitana de Porto Alegre obtiveram arroz agro-ecológico pelo quinto ano consecutivo. As estimativas dos especialistas do MST se confirmaram e na safra 2006/2007, foram colhidos em torno de três mil toneladas do produto.

Mesmo assim, as plantações de arroz agro-ecológico ocupam, aproximadamente, cerca de 20% das terras cultivadas da zona. E das cerca de 700 famílias assentadas na área metropolitana de Porto Alegre, 150 produzem este tipo de cultivo.

Este dado não é menor, si se tem em conta o gigantesco avanço do modelo agrotécnico no Brasil, onde as multinacionais ocuparam as terras do sul com soja transgênica. Ao mesmo tempo, as grandes empresas agrárias investem milhões de dólares ao ano em negociatas e num sistema propagandístico que aponta seus produtos como a única via para uma agricultura economicamente sustentável.

Contradizendo esta visão hegemônica, um camponês daquela área, Huli Marcos Zang, do assentamento Filhos de Sepé Viamão está entre os que aderiram à produção sem químicos. Para o agricultor, a maior vantagem da agroecologia é que não se precisa ficar preso às imposições das multinacionais e do mercado.

"Produzimos nossas próprias sementes e não precisamos comprar outros insumos nas agropecuárias nem depender das multinacionais. Conseguimos produzir sem depender do mercado. Não importa o que ocorra, produzimos igual", afirmou o campesino de Porto Alegre.

Segundo o MST, as vantagens de produzir sem agrotóxicos são várias. A agroecología não degrada o meio ambiente, não contamina a água e não é nociva para a saúde dos produtores, assim como para os consumidores. Da mesma forma, são várias as vantagens econômicas, uma vez que o custo de mão de obra é mais baixo e o preço do arroz econômico é mais alto que o convencional.

Neste sentido, segundo o Instituto Riograndense de Arroz (Irga), o custo da lavoura tradicional de arroz se encontra em torno de três reais (1,4 dólares) por hectare, enquanto que, no sistema agro-ecológico, os produtores têm um gasto de apenas um real (0,5 dólares) por hectare plantada. Por outra parte, no mundo cada vez mais se abrem mais mercados para os produtos orgânicos, que são muito valorizados por consumidores europeus.

Alem de ter vantagens no plano econômico, a agro-ecologia impulsiona à recuperação de valores culturais ancestrais como a pequena agricultura familiar, tão vilipendiada nos países daAmérica Latina por culpa do latifúndio e da ação das multinacionais agropecuárias.

Assim mesmo, o modelo que contempla o uso de agrotóxicos é sumamente nocivo para os camponeses, uma vez que os diferentes produtos químicos que se aplicam, funcionam como um assassino silencioso. Um exemplo disso é o altamente tóxico Gramoxonne, à base de Paraquat e fabricado por Syngenta, que são cobrados pela vida de centenas de agricultores na América Central. (ver "Cultivar hasta la muerte" APM, 10/09/2006).

O fato de se cultivar arroz orgânico, pelo quinto ano consecutivo, representa uma fissura no discurso das multinacionais e demonstra que alcançar a soberania alimentaria para os povos não é um objetivo tão distante.

Agencia Prensa Mercosur / Por Roberto Aguirre raguirre@prensamercosur.com.ar
Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=26868

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sábado, 04 de Outubro de 2003
Mudança que deu certo

Um grupo de agricultores de Santa Catarina decidiu trocar o arroz convencional pelo orgânico. A repórter Ana Dalla Pria acompanhou alguns desses produtores durante a última safra, do plantio até a colheita do arroz. A maior parte dos cultivos de arroz de Santa Catarina é irrigada, aproveitando as várzeas dos rios. Em geral as lavouras são pequenas, mas não há cerca para separá-las. O que divide as roças são os valos. Esses canais coletivos que trazem a água dos rios e açudes para dentro das quadras ou canchas de cultivo. O arroz irrigado rende, em média, sete mil quilos por hectare quase quatro vezes mais que as lavouras de sequeiro. A produção é alta, mas o manejo traz um problema grave: a contaminação da água por agrotóxicos. Uma técnica muito comum por aqui é a chamada "benzedura": o agricultor mistura herbicida com inseticida e aplica diretamente na água. “Tem alguém solta essa água e ela vai para os valos, para os rios... é um crime ambiental dos maiores do mundo, eu acho. É o sistema mais prático e todo mundo faz. Temos que trabalhar sem bota nesta água porque senão ficamos atolados”, diz o produtor Moacir Tramontin. Seu Moacir é um dos milhares de produtores de arroz de santa catarina. O Estado produz mais de um milhão de toneladas. É o terceiro maior produtor de país, atrás apenas do Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Imagine só, então, quanto veneno se aplica nos 140 hectares de lavouras do Estado. “É muito comum os produtores relatarem que os rios na época de clivo tem muitos peixes mortos e até passarinhos que aparecem mortos porque o uso de hebicidas é muito grande no arroz e de inseticidas também”, diz Caio Inácio, agrônomo. O agrônomo Caio Inácio é presidente da Associação que certifica e fiscaliza lavouras orgânicas. Há quatro anos, junto com a Copersulca, uma das principais Cooperativas do Sul do Estado, vêm trabalhando para implantar aqui um sistema alternativo de produção de arroz. É o arroz orgânico ou ecológico. “De maneira bem simples seria o não uso dos adubos químicos, a uréia e o NPK e o uso de agrotóxicos. Isso é totalmente banido na agricultura orgânica”, diz Caio. Hoje, são 33 produtores de arroz orgânico. Nós acompanhamos alguns deles durante a última safra, entre os meses de outubro de 2002 e abril deste ano. O sítio de Ângelo Topanote, fica no Ermo, município do sul do Estado. Tem 10 hectares, tocados apenas com mão-de-obra familiar. A principal atividade do sítio sempre foi o fumo, mas agora seu Ângelo está trabalhando também com arroz orgânico. “O arroz orgânico é melhor de lidar porque não gastamos venenos e a lavoura sai quase livre de gastos”, diz Ângelo. O primeiro passo para o cultivo orgânico de arroz é um bom preparo de solo. Na hora de fazer o lodo, como se diz por aqui, é preciso deixar o fundo da quadra bem lisinho, com o mínimo de buracos. O agrônomo Guilherme Bressan, da Associação Orgânica, explica porque: “Com um bom nivelamento a gente consegue controlar muito a incidência da bicheira da raiz que é a principal moléstia do arroz”, explica Guilherme. O adulto da bicheira-da-raiz é um gorgulho, um besouro que põe seus ovos na água. Quando eles eclodem nascem as larvas, que se alimentam das raízes do arroz, atrapalhando seu desenvolvimento e podem até matar a planta. A principal forma de controle da bicheira, no sistema ecológico é a retirada a lâmina d'água. As larvas não sobrevivem na terra seca. Mas se o preparo do solo não for bem feito, se o agricultor deixar muitos buracos, as larvas vão se abrigar dentro deles e continuar atacando a lavoura. “Dá muito trabalho para deixar esse fundo bem planinho. Tem que passar o trator umas três ou quatro vezes”, conta seu Ângelo. Ângelo Topanote não fez nenhum tipo de adubação. Está aproveitando a fertilidade natural da terra, que tem manchas de turfa - um solo rico em matéria orgânica. Agora, está semeando a última quadra de arroz. Um detalhe importante: ele usa a semente pré-germinada. Já vai para a cancha brotando. Dona Denismar, mulher do seu Ângelo, explica que não é difícil fazer o arroz germinar. “A gente pega e coloca o arroz por volta das 10 horas na água e tira ele amanhã no mesmo horário. Depois coloca num saco plástico, tampa bem por cima e deixa ali por mais 24 horas. Daí, já pode semear”, ensina Denismar. Esse sistema, acelera o pagamento das sementes e encurta o ciclo da lavoura. Nas quadras que plantou primeiro, seu Ângelo e dona Deni, já estão fazendo o primeiro controle de ervas invasoras, principalmente, o chapéu de couro, uma planta aquática que se alastra com facilidade e atrapalha o desenvolvimento do arroz. Para não ter que usar herbicida, eles arrancam o mato manualmente. “Isso é uma beleza para arrancar porque não precisa gastar com veneno. Arrancar uma quadra dessa é apenas uma hora de serviço”, diz Ângelo. Mas há uma forma menos trabalhosa de preparar bem o solo e controlar o mato, que nós fomos conhecer no município vizinho de Jacinto Machado. A rizipiscultura é o consórcio de arroz com peixe. Seu Sandro Acorsi é técnico agrícola, criador de peixe e produtor de arroz. “Usando alevino 1 ou 2 em torno de três mil peixes por hectare. É o bem pequeno, cerca de 10 a 15 gramas e se usar um peixe juvenil, de 100 a 150 gramas a gente usa de 500 a 600 quilos já é o suficiente. Temos duas opções: uma seria colocar agora no plantio do arroz, ficando até no cultivo do arroz, no corte do arroz ou deixar ele até a próxima primavera porque o mais interessante para nós é o preparo da terra não em si a produtividade do peixe”, diz Sandro. O agricultor precisa baixar a lâmina d'água em várias etapas do cultivo de arroz. Para preservar os peixes na quadra, é preciso construir um refúgio, geralmente nas pontas ou na lateral do tanque. É uma área mais funda, com cerca de um metro e meio, onde, claro, não se planta arroz, e que serve de abrigo para os animais. Para ter bom resultado, geralmente se coloca na quadra espécies diferentes de peixe. “A carpa húngara ela tem como característica ser uma espécie de fuçadeira. Ela trabalha muito fundo, faz o trabalho do trator. A carpa capim come o mato que fica boiando no açude e a tilápia come tanto o capim, como as sementes de ervas daninhas e as larvas dos insetos”, diz Guilherme. Com essa mistura, além de um solo bem preparado, o agricultor consegue reduzir o aparecimento de ervas invasoras e de pragas. É bom lembrar que os peixes não atrapalham a produção porque não comem o arroz. Esta outro sítio também trabalha com rizipiscicultura. Pertence à família Tramontin. Tem 30 hectares e é tocado pelos irmãos Marcelo e Moacir. Tradicionais produtores de arroz, eles estavam inconformados com o uso excessivo de agrotóxicos e, há três anos, decidiram converter parte da lavoura para o sistema orgânico. Começaram com um hectare e meio. Hoje já são 3. “É uma mudança de mentalidade que não é fácil de aceitar de uma hora para outra. A gente fica com receio porque se não der certo quem vai arcar com o prejuízo somos nós mesmos”, diz Marcelo. Numa quadra, Marcelo trabalhou com a rizipiscultura durante dois anos. Veja o resultado: sem nenhum preparo de solo, o fundo da cancha ficou bem lisinho, quase sem buracos e a família não gastou nada para preparar o solo. Não foi preciso sequer adubar a roça. Em outras três quadras, Marcelo não colocou peixe. Por isso, teve que preparar o solo. Ele usou cama de frango, como adubo.

Fonte:
http://www.clicengenharia.com.br/caio/globo_rural_2.htm

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sábado, 04 de Outubro de 2003

Os benefícios do orgânico

Vamos ver o que os agricultores fazem para controlar o mato e as pragas. E as contas do agricultor: afinal, o arroz orgânico rende mais ou menos que o convencional? Em janeiro, as chuvas de verão banham os cultivos de arroz. Quando o sol reaparece, dá para ver melhor como estão as lavouras três meses após o plantio... O arroz cresceu bem, mas com ele veio o mato. Marcelo está intrigado com o que aconteceu numa das quadras: cheia de tiririca. E o pior é que ela fica bem na beira da estrada. À vista dos vizinhos. Nessas horas, é difícil resistir à tentação de...colocar herbicidas. “Quem vê chama a gente de relaxado. Os vizinhos pegam no meu pé, mas eu não vou tirar porque ela é rala e não chega a dar prejuízo”, diz Marcelo. Os agrônomos afirmam que essa tiririca não interfere mesmo na produção. A preocupação maior é com outras invasoras, como o capim arroz - que aparece quando as quadras são drenadas e o solo fica seco. Para controlar basta subir a lâmina d'água. Aliás, o manejo orgânico das principais pragas do arroz se faz da mesma forma: “A gente lança mão do manejo fechado de água ou aumentando ou baixando a lâmina de água conforme a necessidade dependendo da incidência de cada praga”, diz Guilherme Bressan. Precisa ter um pouco de experiência e uma boa assistência técnica para saber a hora certa de baixar ou elevar a água. Até agora, os agricultores vêm conseguindo bons resultados. “Nessa área do orgânico nenhum ataque de praga e na convencional eu tive o bicheiro da raiz e bastante. Não só na minha lavoura, mas na dos vizinhos da região. Quem não fez o tratamento da semente teve um ataque violento. Isso acontece por causa do desequilíbrio da natureza. Acabamos com os inimigos naturais da plantação”, diz Marcelo. Para diminuir as pragas, Angelo Topanote está fazendo um controle pra lá de natural: o consórcio de arroz com marreco de pequim. “Tudo que se mexe o marreco come: o adulto da bicheira da raiz, o percevejo do grão, a noivinha branca do arroz”, diz Guilherme. Para não comer as sementes, os marrequinhos jovens só vão para quadra um mês após o plantio e devem ser retirados quando as plantas começam a cachear. “Coloquei 50 marrecos na minha área e eles dão conta de tudo porque passeiam por todo lugar e passam de uma cancha para outra”, diz Ângelo. No mês de abril, as colheitadeiras trabalham a todo vapor. Marcelo está colhendo aquela quadra onde fez consórcio de arroz com peixe. Ficou impressionado com a lavoura. As plantas cresceram tanto que ele teve problemas de tombamento. Como dizem os técnicos, parte do arroz acamou: “Dá uma perda de mais ou menos 30%”, diz Marcelo. Marcelo é produtor de arroz agulhinha, e colheu, em média, 140 sacas de 50 quilos por hectare. Nas áreas convencionais, tirou até mais: 160 sacas. “Para produzir um hectare de arroz convencional gastei 70 sacos de arroz e no orgânico foi em torno de 30 sacos”, diz Marcelo. Vamos entender melhor as contas do Marcelo: ele produziu por hectare 160 sacas de arroz, no sistema convencional. No orgânico, 140. O custo no convencional, correspondeu a 70 sacas. No orgânico, 30. Para chegar ao lucro por hectare basta subtrair: sobram 90 sacas no convencional e 110 no cultivo orgânico. “Hoje, as empresas na nossa região estão pagando em torno de 10% no arroz orgânico. Sobrou em torno de R$800,00 a mais comparado com o convencional”, diz Marcelo. Várias empresas da região compram a produção. Uma delas é a Copersulca, que montou uma estrutura especial para o recebimento e beneficiamento de arroz orgânico. “Tem mercado par o arroz orgânico no nosso próprio Estado, no Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e vários outros Estados”, diz Flávio Marcon, presidente da Copersulca. Aqui se prepara o arroz parbolizado, que passa por uma espécie de pré-cozimento. A cooperativa montou, também, um frigorífico que compra e processa o peixe produzido junto com o arroz. É uma forma de proporcionar um ganho extra aos associados. “Para o produtor o peixe está de R$1,20 a R$1,30 dependendo do rendimento da carcaça”, diz Ademar Costa, diretor do frigorífico. Vamos acompanhar, agora, a colheita no sítio do seu Ângelo. Ele cultiva a variedade cateto, indicada para a produção de arroz integral. Na safra passada, seu Ângelo colheu 85 sacas por hectare. Este ano, a produtividade caiu: “Deu 70 sacas por hectare. Queria que desse mais”, diz Ângelo. Quem dá assistência técnica é Rogério Topanote, agronômo da Epagri - empresa do governo que faz pesquisas e orienta os agricultores de Santa Catarina. Rogério, que é irmão do seu Ângelo, explica porque a produtividade caiu: “Foi a falta de adubação, mas acredito que o fator principal foi a densidade de semeadura. Em função de pouca semente a densidade ficou um pouco baixa”, acredita Rogério. Apesar da colheita menor, dona Deni comemora. Este ano, a família está conseguindo realizar um sonho antigo: a construção da casa nova. Bem maior e melhor que a velha. “Será uma casa com quatro dormitórios e as demais dependências maiores do que eu tenho na outra casa. Isso é resultado do arroz orgânico. Há dois anos atrás não tínhamos nada. Inclusive compramos trator novo”, diz Deni. Os agricultores que você viu na reportagem estão começando agora o plantio da nova safra de arroz orgânico. A gente deseja que eles continuem melhorando de vida e ajudando a preservar o meio ambiente.

Fonte:
http://www.clicengenharia.com.br/caio/globo_rural_3.htm

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2 comentários:

Lucas Thobias Campos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lucas Thobias Campos disse...

Eu gosto de consumir o arroz orgânico, pois é mais saudável e possui diversos benefícios, com por exemplo, não utilizar agrotóxicos e ser mais saboroso. Alguns desses exemplos estão no site do thiagoorganico